Friday, October 23, 2015

Sicario: Terra de Ninguém

Denis Villenueve é um cineasta incrível, uma das coisas mais belas em sua direção é que ele consegue fugir de quase todos os clichês do gênero, em cada cena do filme, grande ou pequena, em cada sequência Villenueve mostra que tem domínio do que está fazendo, ele nunca está perdido. Mas a coisa mais incrível nisto tudo é que Villenueve consegue ser autêntico, original, em nenhum momento parece que “Sicario” é dirigido por qualquer outro diretor ou que Villenueve está tentando imitar alguém, simplesmente é ele em todos os momentos. Ele cria um Thriller policial autentico, em “Sicario” não existe aquele negócio de “esta cena foi muito tensa, vamos fazer uma aqui mais "light" para o público relaxar um pouco, uma mais cômica”, de forma alguma, o filme é tenso do começo ao fim e a cada minuto que se segue você fica ainda mais tenso. 

Outra coisa genial de Villenueve é que ele sabe criar desespero e tensão no público por muitas vezes dispensar a “antecipação”, por exemplo: imaginemos que um personagem vai levar um tiro, ele não “antecipa” a cena com alguém suspeitando de algo errado, ficando inquieto de um lado para outro e que de repente diz: “Abaixe-se! ” e ai alguém é baleado, não, com Villenueve é assim: Dois personagens conversando tomando café de forma descontraída e de repente uma bala atravessa a cabeça de alguém, então todo mundo se joga no chão de forma desesperada enquanto os vidros das janelas da cozinha se espedaçam em migalhas por balas de metralhadoras que você não faz a menor ideia da onde estão vindo, então Kate (Emily Blunt) e os outros policiais tentam localizar os atiradores e revidar, é dessa fora que funciona com Villenueve, e quando ele usa a “antecipação” é pra criar tensão, medo, ansiedade, seus nervos começam a se contorcer, sua testa a suar, ele realmente consegue extrair esta reação do público.

Outra coisa boa de Villenueve é que ele não banalizar a violência, talvez você esteja se perguntando: “Como assim, pelo o que eu vi até agora parece ser um filme super forte” e de fato é um Thriller para quem tem nervos de aço, mas não se preocupe, Villenueve não vai traumatizar você ou faze-lo vomitar na sala de cinema, ele mostra o que tem que mostrar e quando tem que mostrar, acima de tudo ele nunca passa do limite, ele sabe até onde ele pode ir, por exemplo: quando há uma cena de tortura e você sabe que a coisa vai ficar feia, simplesmente antes de a tortura começar de verdade a porta da sala de interrogatório é fechada e você não ver mais nada. Apenas escuta alguns gritos e vamos para próxima cena, você sabe o que aconteceu lá dentro, está até mesmo enojado, mas Villenueve não te mostrou nada por que ele sabe que não existe cena mais cruel e desumana do que aquela que imaginamos dentro da nossa cabeça, quando uma criança é morta ele não mostra os tiros perfurando o corpo dela, a câmera fica sobre o arma disparando, quando há corpos mutilados ele não faz “closers” sobre eles, apenas um relance de longe como no “cartão de boas-vindas a Juárez” é suficiente para você saber onde está se metendo, e quando ele mostra algo mais forte como na cena inicial, aquilo tem um propósito, fica evidente na reação dos policiais, seu olhar de nojo, repulsa de até aonde vai a crueldade humana, fazendo até que um policial saía de dentro da casa para pegar ar fresco por que lá dentro ele sem dúvida iria vomitar, então você sente o que os personagens sentem, nada é excessivo ou gratuito, Villenueve usa a imaginação do público, isso fica evidente quando Josh Brolin diz: “Eles jogaram a menina um tanque de ácido”, Villenueve não te mostra isso, mas você está horrorizado por que sua mente consegui visualizar isso. 

Mas um cineasta não faz um filme sozinho não é verdade? O elenco está ótimo, enquanto Josh Brolin adora uma carnificina, Emily Blunt e Benicio Del Toro são os dois lados da mesma moeda, Blunt segue os procedimentos, é uma amante da lei, quer fazer justiça e isso fica evidente no modo em como tenta descobrir a verdade por conta própria, já Del Toro é um lobo solitário, ele não rir, não chora, não grita, não se intimida, ele permanece com o mesmo olhar solitário do começo ao fim, ele vai fazer aquilo que lhe mandam, não importe o quanto aquilo custe. 

A montagem de Joe Walker é fora de sério, ele sabe ritmar um filme e como manter a tensão mesmo em cenas longas, provou isso em “12 Anos de Escravidão”. Mas eu tiro mesmo o meu chapéu para Sir Roger Deakins, no mínimo a melhor fotografia de sua carreira pelo menos neste século, esse cara é um monstro no que faz. Minha única crítica vai para o estreante Taylor Sheridan que roteiriza o filme, o personagem da Emily Blunt embora tenha sido magistralmente interpretado por ela não foge do estereótipo de personagem deste gênero, ela é uma mulher que basicamente incorpora um homem, durona em todos os sentidos, ela não faz compras, não liga para beleza, não se preocupa tanto com sua própria higiene pessoal, não faz sexo, é basicamente alguém viciada em seu trabalho, como em quase todos os filmes policiais em que as mulheres são protagonistas, entretanto isto não diminui a qualidade do filme em nada.

Por fim devo dizer que Este filme é Simplesmente o melhor suspense policial dos últimos anos!

Possíveis indicações ao Oscar 2016:

Melhor Filme
Melhor Direção: Denis Villenueve
Melhor Atriz: Emily Blunt
Melhor Ator Coadjuvante: Benicio Del Toro
Melhor Montagem: Joe Walker
Melhor Fotografia: Roger Deakins
Melhor Trilha Sonora: Jóhann Jóhannsson
Melhor Mixagem de Som
Melhor Edição de Som

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